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Entrevista com o editor-chefe: rumos da Nova Ágora

Nossa Editora comemora hoje seu primeiro ano de trabalho, e convidamos nosso editor-chefe, o pensador e escritor Thiarles Soares, para nos contar um pouco mais sobre nossa história e nosso futuro. #vamulá?


Editora Nova Ágora: Olá, senhor Thiarles Soares, convidamo-lo para uma entrevista por ocasião do primeiro ano da Editora Nova Ágora. Qual é o balanço deste último ano?


Thiarles Soares: Do ponto de vista econômico, um fracasso; editorial, um sucesso! (risos)


ENA: O senhor diz isso, por considerar os problemas de ordem econômica. Explique-se melhor, se puder.


Thiarles Soares: Bem. É claro! Ocorre que quando fundamos a Editora, já tínhamos em mente as dificuldades da vida editorial no Brasil. De fato, se apontarmos para o número de editoras que surgem e falem todos os anos, é um número aterrador. Mas o que nos motivou a fundação não foi o aspecto econômico, que já esperávamos ser difícil, e sim, o aspecto cultural. Mas, se levarmos em consideração só este último aspecto, o balanço também não é favorável, isto porque o Brasil atravessa um momento muito difícil para a cultura. Eu diria que é a época mais difícil e cruel para a cultura em toda a sua história.


ENA: Explique-se um pouco mais sobre por que acha isso?


Thiarles Soares: Bem. Neste momento, há uma disputa ideológica muito forte nos meios de comunicação de massa, e elas tomam conta dos rumos da cultura do século XXI. O mercado editorial para inovar tem de penetrar nas profundezas do submundo da internet, e dela retirar algum ouro. Não é algo fácil, a maioria dos editores fracassam. Agora é a pressa para adquirir público, para manter este público, cativar este público, e fazê-lo girar em torno de si. A web criou microcosmos independentes da cultura real. Esta ficou escondida nos recantos da vida real. Quantas pessoas adquirem livros? E quantas adquirem sem recorrer aos influenciadores de internet? É algo icônico, nossa cultura depende do Youtube e do Instagram!


ENA: Então o senhor acha que a tendência é que as pessoas sejam moldadas por um gosto estético da internet?


Thiarles Soares: Sem dúvida alguma!


ENA: Mas o senhor disse que do ponto de vista editorial o balanço foi um sucesso. O que quer dizer com isto?


Thiarles Soares: O sucesso editorial é subjetivo. Apesar de que fracassamos (por enquanto) de penetrar na cultura com nossos trabalhos, ou de recolher trabalhos que valham a pena, nós ainda conseguimos sair na frente de muitas editoras, em termos de novidade e profundidade de nosso trabalho. Publicamos três livros no primeiro ano, e todos eles teve uma boa crítica. Contudo, não foram muito longe. Mas sua recepção foi muito orgânica. Como a ENA deseja ser uma editora crítica que forneça trabalhos de valor cultural agregado, acho que tivemos êxito.


ENA: Nossos críticos poderão dizer que os trabalhos até agora lançados são em mor parte do editor-chefe e que são apenas fruto da ousadia de sua pessoa.


Thiarles Soares: (risos) Por certo que dirão isso e coisas piores. No entanto, meus trabalhos publicados não são uma usurpação, eles são a motivação precedente para a fundação da ENA. E no Bicentenário (Bicentenário da Independência), eu quis dar uma primeira tentativa de esboço cultural nacional contemporâneo, e consegui! Está tudo lá. Quem ler e prestar atenção, verá que as anállises ali lançadas podem ser desdobradas em mil e uma palestras. Contudo, quis escrever um livro para o grande público e não para as massas de intelectuais (ou pseudo intelectuais). Por enquanto, este livro foi ignorado, como eu dizia que seria ignorado, e seria por aqueles que dizem amar e defender o Brasil. Contudo, este livro ainda será testemunha válida no futuro, porque Deus, de algum modo, se aprouve dele.


ENA: O senhor tem se mostrado bastante crítico dos dois maiores movimentos culturais brasileiros atuais, Esquerda e Direita, nos últimos anos. Continua tão crítico e o que o levou tal motivação?


Thiarles Soares: Olha... talvez seja fruto dos tempos. Tanto a esquerda quanto a direita criou seus dogmas, e eu não sou afeito a dogmas políticos republicanos. Quando o discurso público de ambos os grupos se tornou propaganda, sem profundidade de espírito, eu me afastei, e fui me afastando, me afastando, e quando me vi, já estava longe de ambos. Foi assim que saí da esquerda e fui para a direita, e depois, saí da direita e comecei a vagar pelo espaço, onde a hipocrisia farisaica não reina. Uma coisa horrível que vi nos dois grupos é a tentativa de jogar para um lado, quando não se gosta de você, ou atraí-lo, e dizer que você é aquilo, mesmo sem ser. Por exemplo, tem um figurão da direita que disse numa entrevista, quando perguntado o que era ser um conservador, ele respondeu retoricamente: "se você gosta de ter sua casa, educar seus filhos, ter seu carro, poder ter uma vida digna, ser dono de sua riqueza, ter filhos... então você é conservador", a pobre entrevistadora, ao ouvi-lo, ficou um pouco desconfortável, porque ela era quase tudo isso, só que não queria ter filhos... ou seja, o Brasil é isso, as pessoas criam rótulos e tentam se encaixar nos rótulos, ao passo que outras, quando não se encaixam nos rótulos, tem de vagar errantes sem ter apoiadores, lhes obrigando a neutralidade ideológica para sobreviverem.


ENA: O que acha dos rótulos da esquerda e da direita?


Thiarles Soares: Tolice proposital da retórica propagandística. Se ela não funcionasse, já teria desaparecido. O povão ama rótulos e os seguirá religiosamente. O problema é que os verdadeiros intelectuais, aqueles que não podem ser dobrados pelos grupos ideológicos, são maiores que estes grupos, e estes grupos os rejeitarão por causa desta superioridade, que eles, paradoxalmente entendem como inimizade.


ENA: Falando nisso, como vê a situação dos escritores que o senhor conheceu, sobretudo na direita:


Thiarles Soares: É complicado comentar... o que posso dizer é que já não converso com a maioria deles, por vários motivos, quer tenham desaparecido nas brumas da internet, quer não tenham gostado de minha pessoa e se afastado, enfim.


ENA: Sobre esses que "desapareceram nas brumas da internet", poderia comentar um pouco mais sobre eles?


Thiarles Soares: Desapareceram por ocasião ou da obsessão política, quando foram derrotados nas eleições de 2022, muita gente nunca mais se recuperou desde então, ou porque se engajaram demasiadamente nela, tornando-se em publicitários de campanha. Agora veja, o problema é este: as pessoas gostam de se meter em política, e os bons escritores quase sempre dialogam com os leitores do futuro, e com os escritores do passado. Esta dura prova todos os verdadeiros escritores atravessam.


ENA: E sobre os que não gotaram da sua pessoa?


Thiarles Soares: Eu não posso dizer com certeza. Não me lembro de nenhum acontecimento em particular que tenha provocado o afastamento imediato. Mas escritores são melancólicos e crueis, quando não gostam de uma pessoa, geralmente se afastam, não respondem, ignoram e não comentam seus trabalhos. Há alguns com leves doses de psicopatia, e te frequentam só para ver o quanto você está mal (risos). Creio que o problema é que a maioria deles não confia em mim, eles desconfiam se eu sou digno da amizade deles, se sou um inimigo infiltrado, se faço parte do grupo que eles pensam pertencer.


ENA: Pelo senhor não repetir certas cartilhas do movimento conservador?


Thiarles Soares: Também. Mas não só. Quantas vezes eu repeti por meio de artigos e ensaios de maneira mais profunda o que os conservadores estão a dizer? E apesar disto, eles simplesmente ignoram meu trabalho. Às vezes sinto que isto é fruto do orgulho, ao verem uma pessoa desconhecida pensando por si mesma, ou buscando encontrar a própria voz para não ser repetidora, eles ignoram o esforço. Escritores só gostam ou de seus trabalhos ou dos trabalhos de escritores que vão lhes ensinar algo. Também gostam do trabalho de seus amigos, mas estes são muito raros e difíceis, por isso eles são muito seletivos.


ENA: Diz isso por si mesmo?


Thiarles Soares: E por observar os demais escritores durante anos. Na verdade sempre foi assim, a atividade literária é movida por vaidades antes de ser movida por razões transcendentais.


ENA: Falando sobre o futuro da Nova Ágora, o que o senhor espera?


Thiarles Soares: Que continuemos a lançar trabalhos dignos, apesar de ignorados pelas massas de intelectuais. Queremos ser uma ilha de sanidade em meio ao oceano tempestuoso.


ENA: Virá novidades para este ano?


Thiarles Soares: Talvez. Mas lançamos livros muito próximos um do outro, ainda não temos condições de fazer mais publicações a curto prazo.


ENA: E os escritores que são seus amigos, estarão nas próximas publicações?


Thiarles Soares: Se dependesse de mim, sim. Mas o trabalho de um escritor é também profissional, e nossas condições financeiras no momento não podem arcar com grandes projetos. Mas há sem dúvida a boa vontade deles e a nossa desta promoção conjunta. Contudo, depende da sorte que a constelação estrelar se formar diante de nós daqui para frente.


ENA: Acha que tal "constelação estrelar" se formará em breve?


Thiarles Soares: (risos) O problema maior é a falta de apoio em todos os âmbitos, desde a elaboração do livro até sua venda e crítica.


ENA: Por que tal avaliação?


Thiarles Soares: Por exemplo, meus amigos e familiares sabem dos meus livros, mas nenhum deles se interessou por eles, não obstante o terem elogiado! E esse quadro icônico se repetiu várias e várias vezes, em todos os círculos em que divulguei; as pessoas elogiavam e diziam "que interessante", que legal, vou ler, assim que tiver um pouco de tempo vou comprar e ler... o problema é que não compram (risos) e a promessa fica ao esquecimento. Mas um escritor não vive de promessas de leitura, vive de leitores que o leem e o discutem. É claro que é uma forma de vaidade, uma vaidade intrínseca que só pode ser superada por uma vida ascética. Um escritor não se sentirá confortável por ninguém se interessar verdadeiramente por sua obra. Mas a culpa não é por não gostarem dele, e sim porque elas não têm tempo, as pessoas realmente não têm tempo para ler um livro, e elas teriam se soubesse a importância disto, ou a importância daquele livro, mas elas não darão importância, porque não dá para dar consciência de antemão. Tal problema é sanado parcialmente pelo papel do crítico literário, mas até o papel deste último está enfermo pela cultura web.


ENA: Como será daqui para frente, o seu futuro e o da ENA?


Thiarles Soares: Não quero acabar com a ENA. Mas teremos de repensar nossas posições daqui para frente, encontrar um novo caminho de sustentabilidade para nossos trabalhos. Eu mesmo mudarei minha posição como escritor e editor. Nossa proposta é boa, mas no mundo mercadológico não basta ser bom, tem que ser "vendável". O Brasil é o país mais cruel para o mundo editorial, e por esta ser dominada pela esquerda, é difícil penetrar nas instituições. Se bem que não é nosso desejo penetrar nas instituições brasileiras, mas discuti-las, e, por que não, substitui-las por algo melhor. Isto faz a Nova Ágora.


ENA: O fato de nossa casa não morrer no primeiro ano é uma vitória. Mas desafios enormes surgem para nós daqui para frente. Gostaríamos de agradecê-lo por esta entrevista que é um testemunho dos tempos que atravessamos. Obrigado!


Thiarles Soares: Eu que agradeço. Até mais!

 
 
 

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