Há um dito de George Santayana que nos é muito caro: “um povo que não conhece sua história, está condenado a repeti-la”, na Bruzundanga de Barreto vemos a repetição quase profética dos fatos tão observáveis. Não há frase que demonstre tão claramente o Brasil contemporâneo quanto àquele. A cultura brasileira repete os mesmos moldes dos tempos de Lima Barreto. Quando escreveu sua obra satírica Os Bruzundangas, estava na esperança de extirpar do futuro a ruína daquele horrendo presente. Este livro, um complexo ficcional e ensaístico sem paralelo na literatura brasileira, reúne uma síntese cultural universal do cenário cultural do país ao longo de toda a sua história subsequente, sem retirar vírgula ou jota.
Sabendo disto, e por causa disto, consideramos tal obra, esquecida e ignorada dos debates culturais brasileiros, de máxima importância para o leitor que queira ter em mãos uma perspectiva abrangente, educativa, elucidativa, aberta, franca, bem-humorada, realista e profunda da mediocridade humana tão venerada neste país como a regra social. Os Bruzundangas é um espelho da sociedade brasileira, e se foi um espelho embaçado dos quais os donos preferiram esconder, limpamo-lo e acendamos as luzes para que reflita ainda mais forte as poeiras de um passado hostil que ainda vive.
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